REQUIEN GRANULAR ___________________________________________________________________________________________
TRILOGIA [S] ________________________________________
VALVERDE ______________________________________________________________________
CONTATO
BIO
INTERIOR _______________________________
DEPOIS DE JUNHO
EIN KLÖTZEL ARCHIV__________________________
METEORA I _________________________
METEORA II _________________________
METEORA III _________________________
HOME ____________
INTEMPESTA __________________________
CERNE ____________________________
cerne/
2017/
instalação
lentes de acrílico, LEDs, lastex, galhos secos, blocos de concreto, cimento, tinta preta, madeira, espelhos, mdf/
4.5 m X 6 m/
AUDIO TIMELAPSES _____________________________________________
Estes textos estão repletos de citações. A prática de citar sem aspas não é normalmente bem vista pelos que se dedicam a criar textos, assim como outras categorias de criadores. Alguns a chamam de apropriação. Outros, plágio.

Esse trabalho deve desenvolver ao máximo a arte de citar sem usar aspas. Sua teoria está intimamente ligada à da assemblagem.

Deve desempenhar esta tarefa abandonando o receio de que uma atividade que se dedica à preencher o vazio, possa vir a ser taxada de plágio.

Pois a atividade de preenchimento do lugar do vazio que corresponde à ausência estrutural do objeto desde sempre perdido, é a atividade criadora primordial, a eterna busca pelo objeto original, a ser recuperado pelo infinito esforço de criação.

Ninguém é dono de um espaço vazio, e portanto não pode ser dono do que venha a ocupá-lo, mesmo alegando a consciência sobre uma realidade absoluta.

Um dos paradoxos mais importantes presentes na idéia do buraco negro é a total impossibilidade de propriedade. Diante de tal impedimento, vale a pena privilegiar a dúvida sobre a certeza – a propriedade privada é um mal até mesmo no domínio do discurso.

Aqui não se pretende falsificar o real ou a realidade. Afirmando-se como representação, o objeto criado busca sustentar o vazio necessário para que a linguagem possa libertar o discurso.
Um Buraco Negro é uma região do espaço da qual nada pode escapar. É o resultado da deformação do Espaço-tempo após o colapso de uma estrela, com uma matéria maciça e infinitamente compacta que desaparecerá dando lugar ao coração de um buraco Negro, onde o tempo pára e o Espaço deixa de existir.

Um buraco Negro começa em uma superfície denominada horizonte de eventos, que marca a região a partir da qual não se pode mais voltar.

O adjetivo Negro em Buraco Negro se deve ao fato de este não refletir a nenhuma parte da luz que venha atingir seu horizonte de eventos, atuando assim como se fosse um Corpo Negro Absoluto.
A história do Brasil pode ser lida e contada de muitas maneiras. Uma das maneiras de contá-la é através da narrativa da reconquista do Corpo Negro, porque no centro de grande parte das disputas esteve sempre o domínio sobre o Corpo Negro.

Em se tratando de corpos negros, há uma distinção necessária a respeito da coloração que o adjetivo Negro designa: a diferença entre cor-Luz e cor-pigmento. A cor-Luz é toda cor formada pela emissão direta de Luz. Já a cor-pigmento é a cor refletida por um objeto, isto é, a cor que o olho humano percebe.

No grupo cor-Luz, a combinação das três cores primárias gera o branco e a ausência da cor-Luz, o Negro. A utilização do adjetivo Negro significaria o Vazio.
No grupo cor-pigmento a relação é contrária: quanto maior a presença de pigmentação, mais próximo do Negro será a cor do Corpo. Os corpos humanos pertencem à este segundo grupo. A utilização do adjetivo Negro poderia significar algo como o Absoluto.
A discussão sobre o Absoluto está intimamente ligada à questão da concretude e, portanto, da finitude da vida, à ação concreta e criadora que, como tal, só pode se realizar como experiência singular, de indivíduos singulares. Ou seja, como experiência de um Corpo, por meio de um Corpo.

No Brasil, o Código Civil define que o Corpo morto não tem direitos. A lei se refere apenas ao direito a ser sepultado e a permanecer sepultado.

Em ritos mortuários presentes no Brasil porém não referenciados no Código Civil, quanto maiores os vínculos do Corpo da pessoa que morre, mais detalhado e complexo será o ritual que tem por objetivo conduzi-la corretamente a outro Espaço.

A Morte não significa a extinção Absoluta, ou aniquilamento, conceitos que verdadeiramente o sepultariam. Morrer é uma mudança de Espaço. Faz parte da dinâmica do sistema. Sabe-se perfeitamente que Ikú deverá devolver a Ìyá-nlá, a Terra, a porção símbolo de matéria de origem na qual cada indivíduo fora encarnado: o Corpo. Porque cada criatura, ao adentrar seu Corpo, traz consigo sua Morte. A imortalidade, ou seja, o eterno renascimento, de um Espaço da existência a outro deve ser assegurado.
Parte da essência do buraco negro pode ser representada por imagens primitivas da deusa como as de uma Mãe fálica, uma divindade autofecundante que dá à luz sem o esperma masculino.

Todos os habitantes das profundezas — Sorte, Velhice, Morte, Assassinato, Incontinência, Sono, Sonhos, Discórdia, Nêmesis, as Erínias e as Moiras, as Górgonas e as Lâmias - originam-se de seu ventre.

O domínio dessa Deusa é ilimitado, irracional, primordial, totalmente destrutivo em uma escala referencial humana de existência.

Sua atuação pode ser vislumbrada através da comparação com processos de simultânea desintegração e reintegração dos elementos, assim como através dos processos de fermentação, câncer, decomposição e das atividades inferiores do cérebro que regulam os movimentos peristálticos, a menstruação, a gravidez e outras formas da vida e morte corporal a que temos que nos submeter.
Ao fazer o paralelo entre o corpo negro celeste e o corpo negro humano, este texto faz um outro tipo de apropriação, ainda não condenável no contexto jurídico: a escrita é feita sem o conhecimento próprio do corpo negro. Portanto, há uma apropriação da narrativa, do ponto de vista.

Porém, se a natureza do corpo de uma outra pessoa é como a natureza de nosso próprio corpo, então nossas idéias sobre o corpo do outro, como nós o imaginamos, vão envolver um afeto de nosso corpo com um afeto do outro corpo. Consequentemente, se nós sentimos alguém como nós ser afetado por algum afeto, essa imaginação vai expressar um afeto em nosso próprio corpo, como o do outro. Afetos geram efeitos.
De um ponto de vista externo ao da experiência religiosa – ou ao do estado de afeto produzido pelo luto – os ritos funerários consistem em uma operação simbólica em que o que está em jogo é a intervenção massiva de todo o jogo significante.

Já a partir da visão religiosa, é possível que não se encontre nada de simbólico que possa preencher esse buraco no real.

O paradoxo que faz o ponto de vista da religiosidade comparável à consciência do buraco negro diz respeito ao fato de que ao real não falta nada.

A dimensão intolerável oferecida à experiência humana não é a da morte do próprio corpo, que ninguém tem, mas da morte do corpo do outro.
E se o vazio absoluto simplesmente durar para sempre?

As experiências de depressão profunda trazem consigo a forte sensação de estagnação eterna.
UM SÓ CADERNO___________________
EL PARSIFAL ENTRE DOS CAMPANAS_
-

Un agujero negro es una región del espacio de la cual nada puede escapar. Es el resultado de la deformación del espacio-tiempo después del colapso de una estrella, con una materia maciza e infinitamente compacta que desaparecerá dando lugar al corazón de un agujero negro, donde el tiempo se para y el espacio deja de existir.

Un agujero negro comienza en una superficie denominada horizonte de eventos, que marca la región desde la que ya no se puede volver.

El adjetivo Negro en Buraco Negro se debe al hecho de que éste no refleja a ninguna parte de la luz que venga a alcanzar su horizonte de eventos, actuando así como si fuera un Cuerpo Negro Absoluto.
-

La historia de Brasil puede ser leída y contada de muchas maneras. Una de las maneras de contársela es a través de la narrativa de la reconquista del Cuerpo Negro, porque en el centro de gran parte de las disputas estuvo siempre el dominio sobre el Cuerpo Negro.

En el caso de cuerpos negros, hay una distinción necesaria respecto a la coloración que el adjetivo Negro designa: la diferencia entre color-Luz y color-pigmento. El color-luz es todo color formado por la emisión directa de Luz. Ya el color-pigmento es el color reflejado por un objeto, es decir, el color que el ojo humano percibe.

En el grupo color-Luz, la combinación de los tres colores primarios genera el blanco y la ausencia del color-Luz, el Negro. La utilización del adjetivo Negro significaría el Vacío.

Ya en el grupo color-pigmento la relación es contraria: cuanto mayor sea la presencia de pigmentación, más cerca del Negro será el color del Cuerpo. Los cuerpos humanos pertenecen a este segundo grupo. La utilización del adjetivo Negro podría entonces significar algo como el Absoluto.
-

La discusión sobre el Absoluto está íntimamente ligada a la cuestión de la concreción y, por lo tanto, de la finitud de la vida, a la acción concreta y creadora que, como tal, sólo puede realizarse como experiencia singular, de individuos singulares. Es decir, como experiencia de un Cuerpo, por medio de un Cuerpo.

En Brasil, el Código Civil define que el Cuerpo muerto no tiene derechos. La ley se refiere sólo al derecho a ser sepultado ya permanecer sepultado.

En ritos mortuorios presentes en Brasil pero no referenciados en el Código Civil, cuanto mayores los vínculos del Cuerpo de la persona que muere, más detallado y complejo será el ritual que tiene por objetivo conducirla correctamente a otro Espacio.

La Muerte no significa la extinción Absoluta, o aniquilamiento, conceptos que verdaderamente lo sepultaría. Morir es un cambio de espacio. Es parte de la dinámica del sistema. Se sabe perfectamente que Ikú deberá devolver la Ìyá-nlá, la Tierra, la porción símbolo de materia de origen en la cual cada individuo fue encarnado: el Cuerpo. Porque cada criatura, al adentrar su Cuerpo, trae consigo su Muerte. La inmortalidad, es decir, el eterno renacimiento, de un espacio de la existencia a otro debe ser asegurado.
-

Parte de la esencia del agujero negro puede ser representada por imágenes primitivas de la diosa como las de una Madre fálica, una divinidad autofecundante que da a luz sin el esperma masculino.

Todos los habitantes de las profundidades - Suerte, Vejez, Muerte, Asesinato, Incontinencia, Sueño, Sueños, Discordia, Némesis, las Eryias y las Moiras, las Gorgonas y las Lámias - se originan de su vientre.

El dominio de esa Diosa es ilimitado, irracional, primordial, totalmente destructivo en una escala referencial humana de existencia.

Su actuación puede ser vislumbrada a través de la comparación con procesos de simultánea desintegración y reintegración de los elementos, así como a través de los procesos de fermentación, cáncer, descomposición y de las actividades inferiores del cerebro que regulan los movimientos peristálticos, la menstruación, el embarazo y otras formas vida y muerte corporal a la que tenemos que someternos.
-

Al hacer el paralelo entre el cuerpo negro celeste y el cuerpo negro humano, este texto hace otro tipo de apropiación, aún no condenable en el contexto jurídico: la escritura se hace sin el conocimiento propio del cuerpo negro. Por lo tanto, hay una apropiación de la narrativa desde el punto de vista.

Pero si la naturaleza del cuerpo de otra persona es como la naturaleza de nuestro propio cuerpo, entonces nuestras ideas sobre el cuerpo del otro, como nosotros lo imaginamos, van a envolver un afecto de nuestro cuerpo con un afecto del otro cuerpo. En consecuencia, si sentimos a alguien como nosotros ser afectado por algún afecto, esa imaginación va a expresar un afecto en nuestro propio cuerpo, como el del otro. Los afetos generan efectos.
-

Desde un punto de vista externo al de la experiencia religiosa - o al del estado de afecto producido por el duelo - los ritos funerarios consisten en una operación simbólica en que lo que está en juego es la intervención masiva de todo el juego significante.

A partir de la visión religiosa, es posible que no se encuentre nada simbólico que pueda llenar ese agujero en lo real.

La paradoja que hace el punto de vista de la religiosidad comparable a la conciencia del agujero negro se refiere al hecho de que al real no falta nada.

La dimensión intolerable ofrecida a la experiencia humana no es la de la muerte del propio cuerpo, que nadie tiene, sino de la muerte del cuerpo del otro.
-

Estos textos están repletos de citas. La práctica de citar sin comillas no es normalmente bien vista por los que se dedican a crear textos, así como a otras categorías de creadores. Algunos la llaman apropiación. Otros, plagio.

Este trabajo debe desarrollar al máximo el arte de citar sin usar comillas. Su teoría está íntimamente ligada a la del ensamblaje.

Debe desempeñar esta tarea abandonando el temor de que una actividad que se dedica a llenar el vacío, pueda ser gravada de plagio.

Porque la actividad de llenado del lugar del vacío que corresponde a la ausencia estructural del objeto desde siempre perdido, es la actividad creadora primordial, la eterna búsqueda por el objeto original, a ser recuperado por el infinito esfuerzo de creación.

Nadie es dueño de un espacio vacío, y por lo tanto no puede ser dueño de lo que venga a ocuparlo, aun alegando la conciencia sobre una realidad absoluta.

Una de las paradojas más importantes presentes en la idea del agujero negro es la total imposibilidad de propiedad. Ante este impedimento, vale la pena privilegiar la duda sobre la certeza - la propiedad privada es un mal incluso en el dominio del discurso.

Aquí no se pretende falsificar lo real o la realidad. Afirmándose como representación, el objeto creado busca sostener el vacío necesario para que el lenguaje pueda liberar el discurso.
-

¿Y si el vacío absoluto simplemente durara para siempre?

Las experiencias de depresión profunda traen consigo la fuerte sensación de estancamiento eterno.