VALVERDE _____________________________________________________________________
CONTATO
BIO
DEPOIS DE JUNHO
EIN KLÖTZEL ARCHIV_________________________________________________
HOME ____________
CERNE ________________________________________
1.2
1.3
1.1
1.1 - Local da emboscada e assassinato de Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio RIbeiro da Silva.



2.1 - Sala da residência e local do tiro de misericórdia no assassinato de Pedro de Oliveira Torres (conhecido como Pedro Sacaca).




3.1 - Residência onde foram assassinados José Pinheiro Lima, Cleonice Campos Lima e seu filho Samuel Campos Lima.



4.1 - Local do chacina conhecida como Massacre de Eldorado dos Carajás.





5.1 - Local do assassinato de José Dutra da Costa, o Dezinho.



6.1 - Local do assassinato de Onalício Araújo Barros e Valentim Silva Serra, conhecidos como Doutor e Fusquinha.



7.1 - Local onde foram assassinadas 10 pessoas na chacina de Pau D’arco.





8.1 - Local do assassinato de Ribamar Francisco dos Santos.



9.1 - local da emboscada e assassinato de Geraldo José da Silva.


10.1 - Casa em que morava José Pereira da Silva, conhecido como Zé pretinho, e onde foi assassinado junto com Valdemar Alves de Almeida e Nelson Ribeiro.


11.1 - Local em que foi assassinado João Evangelista Vilarins.



12.1 - local onde foram assassinados Francisca Pereira Alves, Januário Ferreira Lima, Luiz Carlos Pereira de Souza e Francisca (que estava grávida).


13.1 - A íntegra das falas no julgamento de José Rodrigues Moreira, mandante no assassinato de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.
3.2
2.2
3.3
2.1
3.1
CADERNOS PARA QUEIMAR_______
EL PARSIFAL ENTRE DOS CAMPANAS_______
Uma investigação sobre a memória reminiscente em locais de assassinatos por disputa de terra na região Sul e Sudeste do Pará.

Para realizar uma cartografia precisa dos locais dos assassinatos, um levantamento junto à pessoas que tem relação com o crime, afetiva ou testemunhal, se fez necessário.

A partir da gravação em áudio dessas narrativas, se realizou uma coleta de outros depoimentos encontrados ao longo da pesquisa, como os Termos de Declaração para as investigações policiais; e as falas apresentadas em julgamentos de assassinos e mandantes. A justaposição destes discursos revela níveis da linguagem produzida em relação aos eventos, que os torna menos palpáveis a cada nova etapa.

Ao final de todas as conversas, restava sempre uma pergunta, que não tive coragem de fazer:
- Já imaginou despertar um dia e então tudo isso não passar de um sonho mau?

Aqui investigo o quanto esses lugares reservam a possibilidade de despertar e pôr-se de pé, ou carregam indeléveis as marcas dos acontecimentos.
A moto saiu da ponte e caiu aqui na frente. O tiro pegou de lado nele. Terminaram de executar ele e depois executaram a Maria. A perícia falou que depois que eles mataram ela. Ela viu a morte dele. Depois tiraram o corpo dele da estrada e o dela também, arrastaram. O capacete ficou aqui de lado. A moto ficou mais para ali. O corpo dele eles botaram mais ou menos aqui e o dela ali no lugar daquela pedra. Aqui era só mato, dessa altura. Fizeram isso para dificultar que nós encontrássemos eles. Saíram correndo por aqui, deixaram uma touca ninja, e pegaram a moto deles que estava escondida numa árvore que tem ali na frente. Tornaram a sair na estrada e foram embora. Logo nós ficamos sabendo, a família toda.




A única coisa que eu tenho muito forte na minha cabeça é quando eu cheguei no lugar, desci do carro da polícia, a primeira... pessoa que eu vejo é ele no chão. De barriga para cima. A primeira coisa que eu vi foi a orelha dele, arrancada. Aquilo me deixou muito irritada. Fiquei louca. Nada é mais forte do que lembrar dele, com a camisa meio levantada, cravado de bala, e sem a orelha. Isso nunca me desceu na garganta. Pelas informações que estavam dizendo no rádio, eu pensava que era só ele que estava lá. Mas aí, quando eu olho para o lado, ela está lá, morta já. Eu só me lembro dele, caído daquele jeito. E dela, completamente cheia de abelhas. As abelhas tomaram conta dela. Da boca dela, do nariz, dos olhos.
Zé Rondon, cunhado das vítimas
Claudelice dos Santos, irmã de José Cláudio
Meu esposo era um sindicalista, vivia na luta, trabalhando, lutando para adquirir um pedaço de terra para trabalhar, ele e a minha filha. E acabou sendo assassinado aqui dentro de casa. E no dia do assassinato a casa aqui estava cheia de gente. Tinha até uma criança recém nascida, deitada na rede. 1 mês e 23 dias de nascido. E uma outra criancinha de 3 anos ao lado dele, muito apegada com ele. Ele estava ali fora por volta de umas 18:40 da tarde, eu ali no quintal e ouvi os tiros. Pensei que fossem os meninos soltando bomba. Quando eu cheguei na cozinha, passou alguém correndo, e ele entrou e caiu dentro de casa. Meu neto correu em direção à ele e eu segurei o menino. O sujeito entrou aqui dentro de casa com uma arma na mão, ele entrou e deu um tiro na cabeça do meu marido aqui dentro da minha casa. Ao todo foram 5 tiros que deram nele. Mas o médico da perícia disse que o tiro que matou ele foi o que pegou debaixo do braço. O assassino olhou para mim, saiu da casa, pulou na garupa de uma moto e foi embora.
Cleonira Barbosa da Silva Torres, viúva de Pedro de Oliveira Torres
“Aqui foi aonde aconteceu a tragédia. Hoje é uma casa diferente, era uma casa de madeira na época, simples. Eram 7 horas da noite, vieram dois rapazes, bateram na porta, entraram. Executaram a minha mãe, Cleonice, meu pai José e meu irmão caçula que estava na rua. Provavelmente meu irmão estava jogando bola e quando escutou os tiros, correu para ver o que era. Eram os assassinos que estavam lá dentro. Quando cheguei, minha mãe estava caída ao lado da geladeira, com um tiro no coração e outro no ouvido, meu pai também, um no ouvido e outro no coração, e o meu irmão com um tiro também no coração”.
Edinaldo Campos Lima, filho das vítimas
BREVE HISTÓRIA DO PÓ___
4.1
5.1
6.1
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12.1
A Curva do S é um lugar de tristeza para mim. Porque nós convivemos ali. Eu não sinto aquele lugar ali como a moradia de pessoas alegres. A gente sente a presença, quando chega naquele local - não sei se acontece com outras pessoas, ou se é porque isso não sai da minha cabeça, e acho que só vai sair quando eu morrer mesmo. Nunca caiu em esquecimento. Quando estou lá na Curva do S eu me sinto muito triste. Cada dia que passa, mais triste eu vou ficando. Sinto a presença deles, lá. De cada um que morreu. Foram pessoas que convivemos por muito tempo, e o filme vai passando na nossa cabeça.
Maria Jesuíta de Araújo, sobrevivente do massacre
Quando deu 16h chegaram os ônibus cheios. Mas foi cheio de polícia. E já foram logo jogando bomba, metendo bala. O primeiro companheiro da gente era surdo, ele passou correndo na frente dos policiais, o policial chegou e deu um tiro na cabeça dele. Ficou só o rombo. Na hora em que mataram o primeiro companheiro nosso, nós corremos pra cima. e eles então falam que fomos nós que atacamos. Aí começou o tiroteio. Mataram muita gente. Eles aprovaram em 19 o número de mortos. Mas mataram muito mais que isso. Tinha criança, mulher. Até hoje tem gente que procura por parentes.

Peguei um tiro no olho, e estou com a bala ainda alojada na cabeça entre o crânio e o cérebro. Eu estava no meio da pista, deu uma acalmada, e eu estava bem na frente. Ele botou a arma para acertar aqui, bem no meio da minha testa. Eu afastei um pouco e pegou aqui, em cima da minha sobrancelha. Eu caí no chão, me levantei, um companheiro pegou no meu braço, me levantou e saímos andando.

Jose Carlos Agarito Moreira, sobrevivente do massacre
Aqui nós estamos na rua onde aconteceu o velório. Algumas casas permanecem do mesmo jeito ainda. A casa dele tem uns 3 anos que foi destruída, porque era de madeira, já era bem velha. Tem só o terreno baldio aqui agora, com uma árvore na frente. Estavam fazendo umas valas aqui para o esgoto da cidade, e ele recebeu os tiros aqui em frente à casa dele, e saiu abraçado com o pistoleiro, brigando, e conseguiu ainda derrubar o pistoleiro dentro de uma vala.
Depoimento anônimo
No dia do ocorrido o pistoleiro chegou na residência do José Dutra pedindo informações sobre aposentadoria, se não me engano, para a avó dele. Ele foi atendido pela família, mas o Dezinho não estava na residência. Ele foi convidado a entrar, recebeu atenção da família e uma das filhas foi ao encontro do Dezinho justamente porque o rapaz havia chegado. Quando ele retornava para a residência o rapaz já estava do lado de fora, conversando com a esposa do sindicalista. Quando viu o Dezinho se aproximando, ele foi caminhando em direção, falando que queria informações sobre aposentadoria. Foi quando ele sacou a arma. Mas nesse momento o Dezinho percebeu a ação do rapaz e entrou em luta corporal. Nessa luta corporal, foram realizados os disparos, e os dois caíram dentro de uma vala. E foi entro dessa vala que o Dezinho conseguiu segurá-lo o máximo que pode, e as pessoas, que já tinham escutado os gritos, chegaram e seguraram o rapaz para ele não fugir. Mas o Dezinho infelizmente veio a falecer ainda dentro da vala.
Depoimento anônimo
Disseram assim: ‘Porque é que vocês estão caçando local para assentar esse povo aqui, de novo?’ ‘É porquê nós saímos da área de vocês, aqui é municipal e aqui nós podemos caçar qualquer canto para montar nosso acampamento’. ‘Vocês vão montar acampamento é no inferno, aqui vocês não botam não. Podem se arrancar daqui.’ O Doutor falou: ‘É bom vocês se saírem de nós, que nós não estamos fazendo nada com vocês’. Aí alguém: ‘Atira logo nesse filha da mãe aí’ e começou: pam, pam pam. Era um bocado de fazendeiro. Ou eram pistoleiros. Eu sei é que eram muitos.
José Rocha de Souza, sobrevivente
Chegou um rapaz falando: ‘A polícia, a polícia’ e já saímos quase correndo. Entramos em uma mata, saímos de outra mata, fomos para dentro do pasto, onde tinha muito babaçu, quando chegamos lá veio uma chuva, e na hora dessa chuva; chegou. Quando eu assuntei, só assuntei tiro. Não sei de onde veio, só sei que assuntei tiro. E saí rastejando igual a uma cobra e pedindo misericórdia de Deus em pensamento.
Depoimento anônimo
Só da nossa família foram 7 pessoas. O pai do meu filho mesmo, depois de baleado. Mataram a cunhada, mataram o irmão. Diz que ele levantou segurando na palmeira e falou: ‘Se for para morrer, vou morrer em pé’.
Giodete Oliveira dos Santos, moradora do acampamento
Aqui foi aonde aconteceu a morte. Era alguma coisa próximo das 7, 8 horas da noite, e ele sempre chegava e deixava a bicicleta em frente à casa dele. Acho que a pessoa já estava esperando ele sair para pegar essa bicicleta e foi no momento em que saiu para pegar a bicicleta que foi alvejado pelo tiro. Na hora ele conseguia gritar apenas “vizinho, vizinho” e “me acode, me acode”. Mas ele já estava alvejado, no chão. O cara foi embora. Ele ainda chegou no hospital municipal aqui da cidade vivo, e depois foi para outro hospital onde ele não conseguiu chegar e morreu. Mas a rua mudou, é um espaço de centro aqui, e a casa em que ele morava foi destruída para ser construída uma loja de peças de moto.
Depoimento anônimo
Era uma época bem chuvosa, estava tendo um trabalho feito por patrola que dificultava muito tráfego de motos. Isso facilitou para que os pistoleiros pudessem pegá-lo nesse trecho. Sempre acontece próximo de uma ponte, uma pinguela. Aqui ao lado da pinguela eles ficaram escondidos em lugar que eles pudessem vê-lo de longe, pudessem sair do esconderijo e encontrar com ele no meio da estrada e fazer os disparos, que foram à queima roupa. Um, ele ainda em cima da moto, o outro já depois dele estar no chão. Depois o arrastaram e colocaram para o lado da estrada. Só foi visto porque vinha um senhor de moto e viu. Mas de longe ele achou que alguém havia caído de moto. Quando se aproximou os ditos, os algozes disseram: “Vai embora porque você vai morrer. Foge, foge.” Quando ele deu as costas, eles deram o tiro de misericórdia no meu marido.
Luciene da Costa Cunha, viúva de Geraldo José
Esse é o local onde aconteceu a chacina. A morte do meu pai. Dia 18 de junho de 85. A casa continua no mesmo formato. Muda só a construção, acho que o pessoal reformou, mas no mesmo sentido. As repartições dentro de casa eram quase as mesmas.

Minha mãe já tinha conhecimento que o Sebastião da Teresona tinha virado pistoleiro. Era um homem muito conhecido na região. Ela entrou para a cozinha para ir ao encontro do meu pai para tentar avisá-lo. Mas o meu pai ouviu eles dizerem que eram polícia federal, então ele veio ao encontro. Se deparando com eles, começaram uma discussão. Eu ouvi quando meu pai falava que ele não era polícia federal, consequentemente ele conhecia-o também. E aí foi quando começou. Meu pai estava com um facão na mão, viu que não teria alternativa alguma ali, e tentou, de alguma forma, partir pra cima deles. Tudo aqui na sala.
Carlito da Silva, filho de uma das vítimas da Chacina da Fazenda Ubá
Carlito da Silva, filho de uma das vítimas da Chacina da Fazenda Ubá
Esse foi um dos primeiros assassinatos. Esse aqui foi o do dia 13 de junho de 85. Ele foi morto próximo a uma caieira de carvão. Acho que era carvão de coco. Foi executado próximo do trabalho que estava exercendo, que era tirar o carvão do buraco da caieira. Ele foi achado praticamente dentro do buraco.
Não dá pra ver por causa do capim, mas era por aqui. Quando queima a gente vê ainda. Porquê é no chão, aí a gente vê o sinal do buraco.
Oziel, atual morador do local
O pessoal havia montado um acampamento na beira da vicinal do castanhal consulta. Lá foram mortas 3 pessoas, que foram mortas nesse primeiro período, do dia 13. Esse pessoal só foi encontrado lá pelo dia 16. Inclusive meu pai esteve nessa busca pelos corpos, que estavam já em decomposição.

Era mata cerrada. Era a primeira abertura dentro do Castanhal Ubá. Nas fotos de jornais da época dá para se ver que os corpos estavam dentro da mata no local em que estavam fazendo uma abertura. O pessoal estava no trabalho de roço dentro da mata.

Desde o início, do dia 13 até o 18 de junho de 85, sempre quem liderou a matança foi o Sebastião da Teresona e o grupo dele.
Carlito da Silva, filho de uma das vítimas
4.2
4.3
4.4
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11.3
12.2
TERMO DE DECLARAÇÕES QUE PRESTA A TESTEMUNHA: RAIMUNDO PEREIRA SANTANA.

Aos vinte dias do mes de junho do ano de mil novecentos e oitenta e cinco, nesta cidade de Belém, digo, Cidade de Marabá, Estado do Pará, na Secretaria do Estado de Segurança Pública, do prédio da Delegacia Regional do Sul do Pará - onde se achava presente o Bel Electo Djalma Monteiro Reis - Delegado de Polícia da Capitalm, comigo Escrivão do Seu cargo no fianl assinado, compareceu a testemunha: RAIMUNDO PEREIRA SANTANA, brasileiro, natural do Estado Maranhão, casado, lavrador, com 32 anos de idade, residente na localidade de São Domingos na rua Santa Terezinha S/Nº - E, às perguntas da autoridade depois de prestar a afirmação da Lei, em dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado, inquirido a respeito de ter testemunhado algo a respeito dos homicídios ocorridos na área da Fazendo a Ubá - na região de São Domingos , fato ocorrido no dia treze do mes em curso, em seguida disse QUE: - O declarante como os demais, encontra-se com um roçado na area da fazenda Ubá; QUE na manhã do dia treze, por volta das oito horas da manha, quando caminhava na rodovia Tranzamazonica, a fim de apanhar um coletivo com destino à Marabá; QUE em companhia de dois amigos, quando em dado momento, deparou com um outro lavrador que, demonstrando estar bastante nervoso e aflito informava ao declarante de os dois amigos de que, devetriam ter cuidado, pois, a poucos minutos, teria ocorrido um tiroteio, que o mesmo não sabia se era policia ou pistoleiros; QUE o declarante temendo por sua vida, apanhou uma carona dali até ao KM 40 - onde cconseguio apanhar um coletivo para Marabá; QUE o Onibus ao trafegar na àrea da fazenda Ubá, parou em frente a casa de um lavrador conhecido por Zé-da-Piçarra, por solicitação de deois indivíduso desconhecidos os quais apos pagarem suas passagens na quantia de Vinte e quatro Mil Cruzeiros, passaram a viajar tendo um deles ocupado a paltrona do lado do declarante e outro em uma outra pararela; QUE o declarante não manteve qualquer diálago com os estanhos, mas conseguio ver de que o que sentara a seu lado estava armado com um revolver de grosso calibre e outro tambem estava armado, so que não consegui identificar que tipo de arma; QUE a viagem continou e ao chegar no KM 6 - já em Marabá, os dois desconhecidos saltaram e o declarante ainda ouvio quando falaram em apanhar ali um outro Onibus; QUE o declarante tentou verificar o trajéto que seguiam e a poucos metros do coletivo desapareceram; QUE no dia seguinte o declarante voltou para a àrea da Fazenda Ubá, onde deparou com cinco cadávers insepultos, sendo: quatro homens e uma mulher,; QUE destes somente dois dos quais eram seu amigos de infância, um de nome José e outro conhecido apenas de Neguinho; QUE um seu vizinho disse ao declarante, digo de nome MESSIAS, seu vizinho, informou ao declarante que estava na hora do massacre, foi abordado por seis pistoleiro e que se faziam acompanhar do fazendeiro de nome EDMUNDO VIRGULINO e que este seu conhecido so nao moreeu por ser irmão de um dios pistoleiros. MQUE pode afirmar sem sombra de dúvida de que o fazendeiro foi quem mandou o Massacre dinate dos lavradores que perderam suas vidas atingidos por diversos disparos de armas de fogo; QUE no dia dezoito o declarante encontrava-se na localidade de São Domingos, quando veio a saber de um novo tiroteio e desta feita, mais cinco pessoas moreeram assassinadas, onde moreeu um seu amigo. E, como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo este termo que, lido e achado conforme, assina a autoridade com o declarante. EU_________________, escrivão o datilografei.
____________________________________ AUTORIDADE
____________________________________ DECLARANTE
11.2
10.2
Termo de Declarações

que presta
PEDRO AVELINO DA SILVA Testemunha Informante
na forma abaixo

Aos vinte e sete dias do mês de junho do ano de mil novecentos e oitenta e cinco nesta cidade de Marabá, KM quarenta entroncamento) e no Cartório da Delegacia Secretaria da Escola Municipal onde se acha presente Vem vindo o Bel Electo Djalma M. Reis, respectivo delegado, comigo _____________ Escrivão de Polícia, compareceu o senhor: PEDRO AVELINO DA SILVA, brasileiro, natural, do estado do Maranhão, casado, com 64 anos de idade, analfabeto, lavrador, residente Nesta localidade (KM40 da Rodovia Transamazônica, São João do Araguaia. E, às perguntas da autoridade depois de prestar a afirmação, da Lei, em dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado, Inquirido a respeito do que sabe com referência ao crime de Homicídio em que foi vitima o trabalhador rural * de nome: JOSE PEREIRA DA SILVA, conhecido por “Zé-Pretinho” e Waldemar Alves de Almeida, sobrinho de Zé Pretinho, fato ocorrido no dia 18.6.85, quando os mesmo encontravam-se em sua própria cara* ainda nesta localidade, em seguida disse QUE: - O declarante no dia acima, entre: quatorze à quinze hs pouco mais ou menos, encontrava-se no Bar onde se localiza também o terminal de coletivos, às margens da rodvia Transamazônica, quando ali estacionou um veículo automovel, de cor cinza e do interior do mesmo sáltaram CINCO* indiívuos desconhecidos, tendo um dos quais de statura baixa, * forte, usando um chapeu de massa, calça Lee, escura, adentrou ao bar, solicitou um litro de Wisk no que foi atendido, apos o pagamento este dirigiu-se hà uma mesa do bar abriu a garrafa, tomando uma dose e ali deixou a garrafa e logo se acercou da mesmo os quatro que o acompanhavam, sendo três indivíduos de cor morena, dois mais altos e um de estatura baixa, usando tambem chapeu de massa, cor preta, e um outro baixa estatura, magro, cor branca, tipo goió, e que passaram a ingerir a bebida; QUE nessa ocasião o declarante foi chamado pelo dito indivíduo que primeiro adentrou o qual presume o declarante estar chefiando os demais, levando o declarante para fora do bar e bem poucos metros, passou a fazer a seguinte indagação: “Se o declarante morava neste lugar, no que respondeu positivamente, indagou ainda o tempo, o declarante respondeu-lhe que a cerca de quatro anos, indagou ainda se o declarante não lhe dava notícias do povo que estava invadindo as terras do sr. EDMUNDO, tendo o declarante respondido negativamente, pois, alegou, residir afastado do povoado; QUE queria saber ainda onde morava o sr. MESSIAS, o declarante alegou não saber, perguntou ainda se o declarante não tinha cortado terra (posse de terras), na àrea do sr. EDMUNDO, como tambem queria saber quem tinha ateado fogo em algumas casas no outro lado (área de Edmundo, o declarante respondeu-lhe que: nao tinha terras e não sabia esclarecer nada, indagou ainda em o declarante trabalhava no que respondeu em comercio de bananas; QUE ato seguido, este individuo agradeceu e com seus acompanhantes apanharam o veiculo e saíram”; QUE apanharam o trajéto em direção a Marabá; QUE cerca de trinta minutos, apos o declarante chegava em sua casa e logo chegava tambem seu filho (menor* de idade), que informava ao declarante de que: Mataram o Zé-Pretinho; QUE logo veio ao pensamento do declarante ter sido os estranhos com * quem momentos antes mantera dialago; QUE o declarante como demais habitantes desta localidades, já estavam em polvorosas, pois, sabe que no dia (13.06), na manhã desse mesmo dia, ocorreu uma chacina nas terras* de EDMUNDO VIRGULINO, seu conhecido e ex-patrão, com quem trabalhou desde dos anos de 1956, quando naquele mesmo dia varias vidas de lavradores foram sacrificadas, inclusive, uma jovem senhora qual encontrava-se em estado de gestação; QUE trabalhou com EDMUNDO VIRGULINO até em agosto do mes passado (1964), quando ainda morava em suas terras e seus animais detrairiam seu roçado, lutou por indenização, o que não conseguiu tendo este revoltado, incinerado sua casa, obrigando o declarante a abandonar as terras temendo por sua vida e de seus familiares. E, como nada mais disse e nem lhe fio perguntado, deu-se por findo este termo que lido e achado conforme, assina a autoridade com os senhores: EMMANUEL WANBERGUE, francez, permanente no Brasil, portador da CI de Estrangeiro, modêlo 1(“19), casado, educador, residente em Marabá, na rua Plinio Pinheiro nº 1.070 - Novo Horizonte e Afonso carlos Ferreira dos Santos, brasileiro, solteiro, fun público, residente na Fl 32 Q: 1, L: 1 - casa 5 Nova Marabá, como a rogo do declarante por ser analfabeto confirme declara em linhas acima, EU______________________________escrivão escrevi e datilografei.
______________________________AUTORIDADE
______________________________1º A rogo
______________________________2º A rogo
TERMO DE DECLARACOES QUE PRESTA SEBASTIÃO PEREIRA DIAS

Aos dois dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e oitenta e sete (1987), às 11:00 horas, onde presente se encontrava a MM. Juiza da 4ª Vara Dra. Ezilda das Chagas Pastana, comigo escrivão abaixo assinado, com a presença do promotor de Justiça Dr Carlos Alberto Santos Monteiro, e na presença da mesma Juiza declarou: Que no mês de julho de 1985, não sabendo dizer o dia foi chamado duas vezes pelo sr. Vavá Mutran, em seu esxritório, para conversar com o mesmo; que na primeira vez não compareceu; No segunfo chamado compareceu ao escritório e quando lá chegou encontrava-se o senhor Edmundo Vergolino, juntamente com o sr. Vava Mutran, quando lhe foi proposto para tomar contas da fazenda “Ubá”, sendo recusado pelo interrogado em face de já tomar conta da fazenda Tona, Pau Preto e Vira Cebo, e ao ser perguntado se havia laguém que pudesse substituí-lo, indicou um pessoal que já havia trabalhado na fazenda Sib, para o interrogado, Juraci Batista, Elias Batista, Mancha, Evandro Guedes, Antonio Nunes; Que acha que estes elementos foram contratados para fazerem a retirada dos posseiros, da fazenda “Ubá” e que ficou sabendo após a chassina da fazenda, é que recebeu ordem expressas para retirar os posseiros (liquidar); Que nega a acusação de ter passado no Km-40, no posto de gasolina do entroncamento, no dia do crime, Declara ainda que o valor da empreitada foi no valor de tres mil cruzeiros; Diz o interrogado que na fazenda “Vira Cebo”, nunca houve problemas com posseiros, que só realizava empreutadas de juquiras; Que na fazenda Surubim, só era responsável por cento e vinte e seis alqueires de derrubada e que sabe informar, que lá existiam cinco a seis fiscais que recebia ordem do sr. João Almeida, Que, no mês de maio, antes da chassina da fazenda “Ubá”, encontrava-se em Marabá, na sua residência, quando soube da noticia da morte de um casal de posseiros e mais um fiscal, onde veio a saber que Wildison namorava a mulher de um posseiro, e ao chegarem em sua casa, o Wildinson e Goiano um outro que não asbe o nome, no momento em que se encontrava o marido da mulher que Wildinson namorava, “quando o marido da mesma atirou em Wildinson e Wildinson atirou na mulher e que não saber afirmar que atirou no marido se foi o próprio Wildinson ou se foi Goiano; Que na fazenda “Pau Preto”, de propriedade do sr. Aziz Mutran, recebia ordem expresssas de retirar os posseiros, se não saísse por bem que era para matá-los, e se matassem ele serio o responsável e que na referida fazenda só morreu um posseiro que fora mortos pelo Goiano, que não é este que está preso; e mais Evandro, que eram comandados pelo interrogado sob as ordem do sr. Aziz Mutran; Que na fazenda “Tona” de propriedade do sr. Salim e Carlos Chamiê, a ordem em relação aos posseiros eram as mesmas que se não fossem retirados por bem era para matá-los e que houve dois homicídios e que nesta época o interrogado era gerente à dois meses; Que quem comprava armamento e rancho para a fazenda “Tona”, para os fiscais era o elemento de nome “Chico”, que trabalha na Cib; Que chico sabe falar maiores detalhes; que nega ter sequestrado “Antonio Caçamba”, e morto na estada da cabaceira; Que Gilmar foi o primeiro posseiro que morreu na “Tona”; Que nega a acusação da morte de um elemento que se encontrava em uma moto; E, como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, manou a MM. Juiza encerrar o presente termo que depois de lido e achado conforme vai assinado. -Eu……………………………………..……………………, escrivão, subscrevo.
……………………………………..Juiza da 4ª Vara
……………………………………..depoente
……………………………………..Promotor Público



Em tempo:
Declara ainda, o interr, digo, que o Dr. Salim mandava dinheiro para o acusado na cidade de Imperatriz (MA), para que ele ficasse calado e não retornasse para Marabá, e que o sr. Benedito Mendes que toma conta do castanhal São Felix, sabe que o seu Salim mandava dinheiro para o mesmo. Eu……………………………………..……………………, escrivão, subscrevo.
……………………………………..Juiza da 4ª Vara
……………………………………..acusado
……………………………………..Promotor Público
POLICIA JUDICIARIA DO ESTADO DO PARA

TERMO DE DECLARACAO : ELISANGELA RIBEIRO DOS SANTOS
BOLETIM DE OCORRENCIA POLICIAL : 2004.000118
DATA/HORA DA INSTAURACAO : 08.02.2004 AS 11:54

LOCALIDADE POLICIAL….………… : (256.01) DELEGACIA DE POLICIA RONDON DO PARA
AUTORIDADE POLICIAL…………… : BENEDITO MAGNO COELHO COSTA
ESCRIVAO…………………………….. : JOEL CARVALHO MESQUITA
DATA.HORA DO DEPOIMENTO……. : EM 08.02.2004 AS 12:32 Hs

…………………………………………………..…………………………………………………..…………………………………………………..………………………….
DADOS DO DEPOENTE…………………………………………………..…………………………………………………..………………………………………………
: ELISANGELA RIBEIRO DOS SANTOS
ESTADO CIVIL : SOLTEIRO
SEXO : FEMININO
DATA NASCIMENTO: 17.02.1982

FILIAÇÃO : MÃE : DELZUITA RIBEIRO DOS SANTOS
PAI : RIBAMAR FRANCISCO DOS SANTOS
LOCAL NASCIMENTO : CASTANHAL/PARA/BRASIL
IDENTIDADE : (IDENTIDADE) 106067899-0. SSP, MA
INSTRUCAO : 2 GRAU INCOMPLETO
PROFISSAO : OUTRAS PROFISSIOES NAO RELACIONADAS
END RESIDENCIAL : RAIMUNDO CRUZ, RUA
COMPLEMENTO : NUM. 550
PERIM/FUNDOS : PROX AO GINASIO POLIVALENTE/NS
BAIRRO/CIDADE : CENTRO/RONDON DO PARA


A jovem acima qualificada, compromissada na forma da Lei, as perguntas da Autoridade Policial acerca do homicídio que vitimou seu pai RIBAMAR FRANCISCO DOS SANTOS, fato ocorrido no dia 07.02.04, por volta das 19:30 horas, DECLAROU: QUE, ontem por votla das 19:15 horas, encontrava-se em sua residencia em companhia de seu pai, o qual este jantava, que apos os mesmos terminar a refeicao levantou-se e dirigiu-se para a frente de sua residencia, tendo neste momento a DELCARANTE saido do banheiro e observado um prato que ficara sobre a mesa, que diante de tal fato pegou o mesmo e levou ate a pia e de la observou seu pai empurrando uma pequena bicicleta que estava em frente ao portao da casa pelo lado de dentro, que apos tal fato encaminhou-se para seu quarto e, passado alguns minutos escutou um ou dois barulhos que pareciam tiros e logo a seguir um barulho no portao e um grito que nao sabe precisar, porem pareceu ser grito feminino, que apos tal fato a declaratne pensou logo em seu pai e de imediato correu para o portao. e la chegando viu seu pai caido no chao com ferimento de um tiro na cabea, que diante de tal situacao comecou a gritar pelo nome de seu pai bem como pedindo socorro, o qual fora atendida por vizinhos que colocaram seu pai em um carro e encaminharam ate o hospital Sao Jose neste municipio de Rondon do Para, onde la apos os primeiros socorros fora encaminhado em uma ambulancia para cidade de Imperatriz/MA, porem no meio do caminho veio a obito; QUE, PERGUNTADO A DECLARANTE SE SABE DIZER A QUANTO TEMPO SEU PAI TRABALHAVA NO SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE RONDON DO PARA, QUAL A FUNCAO QUE EXERCIA, SE ERA NORMAL O MESMO FICAR NA PORTA DE SUA RESIDENCIA E SE COMENTARA COM A FAMILIA ALGUM TIPO DE AMEACA QUE SOFRERA? Respondeu: que um pouco mais de um ano o mesmo estava trabalhando no Sindicato. a qual acha que exercia a funcao de tesoureiro. que quando encontrava-se em Rondon vez ou outra ficava em frente sua residencia conversando com a familia em horario mais cedo e, com relacao a ultima pergunta a DECLARANTE sabe vagamente sobre uma ameaca a seu pai, porem quem pode explicar melhor e sua mae. concluindo esclarece que foram encontrados em frente dua casa dois estojos de municao 380 e um projetil na area dentro da residencia. E nada mais disse nem lhe foi perguntado.




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ELISANGELA RIBEIRO DOS SANTOS
DEPOENTE



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JOEL CARVALHO MESQUITA
ESCRIVAO

TERMO DE DECLARAÇÕES, que presta:

LAISA SANTOS SAMPAIO

IPL. 115/2011 DPF/MBA/PA



Aos vinte e oito (28) dias do mês de maio do ano de dois mil e onze (2011), nesta cidade de Marabá/PA, na sede da Delegacia de Polícia Federal, onde presente se encontrava o Delegado de Polícia Federal MARCELO DE SOUZA SEILER, matrícula nº 17.209, comigo Escrivão de Polícia Federal, ao final declarado e assinado aí compareceu LAISA SANTOS SAMPAIO, brasileira, casada, filha de Luis Pereira dos Santos e de Maria Jose da Silva Santos, nascida em 11/12/1962 em São João do Araguaia/PA, CI/RG n.º 2308219 - SSP/PA, CPF n.º 166, 378, 442-68, professora, residente no Projeto de Assentamento Praialta Piranheira - Núcleo Maçaranduba II (Fazenda Ouro Verde), telefone n.º (094) 9161+5401, trabalhando na EMEF Maria Pereira dos Santos (Projeto de Assentamento Praialta Piranheira - Núcleo Maçaranduba II) com o 3º completo e acompanhada da representante da Comissão Pastoral da Terra, Advogada Dr.ª CLAUDIA DE SOUSA VIEIRA, OAB/PS nº 12.714, tel. (94). 9139-9384, e inquirido pela autoridade sobre os fatos em apuração, RESPONDEU: QUE é irmã da vítima do duplo homicídio ora em apuração, MARIA DO ESPIRITO SANTO DA SILVA; QUE encontra-se residindo no PA em comento há cerca de 10 anos; QUE no dia dos fatos ora em apuração (24/05/2011) viajava de Marabá para sua residência acompanhada de seu esposo JOSÉ MARIA GOMES SAMPAIO, conhecido como “ZÉ RONDON”; QUE viajavam de moto, e por volta de 5:30 horas, quando já encontravam-se na vicinal de acesso ao PA, há cerca de 3 ou 4 quilômetros do centro de Nova Ipixuna, seu esposo parou a moto para engraxar a corrente, momento em que perceberam a passagem de uma motocicleta com dois passageiros em alta velocidade seguindo em direção ao interior do PA; QUE não perceber as características da moto, contudo, seu esposo comentou que seria de COR VERMELHA; QUE em seguida, continuaram a viajem chegando em casa por volta de 6:30 horas; QUE logo após mandou seu filho menor à residência de Maria no intuito de pegar um medicamento; QUE Maria encontrava-se em casa tendo fornecido o pedido; QUE em seguida a declarante seguiu para seu local de trabalho localizado na vicinal onde ocorreu o fato, contudo, antes do local do crime; QUE neste trajeto não observou nenhum veículo ou pessoa estranha na vicinal; QUE no seu local de trabalho receber a notícia através de uma faxineira que seu cunhado JOSÉ CLAUDIO havia falecido; QUE neste primeiro momento a noticia foi de que teria ocorrido um acidente de moto, e desta forma, sabendo que sua irmã MARIA estaria acompanhando JOSÉ CLAUDIO, se dirigiu ao local no intuito de prestar auxilio; QUE no local já haviam cerca de 5 a 8 pessoas, recordando-se dos nomes de “MANTEIGA”, ONOFRE, conhecido como “Seu XINHA” e EDINEI, todos moradores da localidade; QUE perguntou pelo corpo de JOSÉ CLAUDIO, tendo sido indicado um matagal ao lado da vicinal, e informado que o corpo de MARIA estava ali próximo, momento em que a declarante tomou ciência da morte de sua irmã, e que também não havia sido acidente e sim, assassinato; QUE a motocicleta do casal também estava neste matagal; QUE no local do fato, pode-se perceber que os corpos e a motocicleta foram arrastados para o matagal, tendo em vista que havia sangue na estrada, além do capacete e do óculos de JOSÉ CLAUDIO; QUE também pode perceber ferimentos provocados por tiros na mão e no braço de MARIA, e nas costas de JOSÉ CLAUDIO, estes, aparentemente de arma curta (revólver); QUE também observou que foi arrancada, aparentemente com corte, uma orelha de JOSÉ CLAUDIO, QUE, em seguida, “MANTEIGA” passou a comentar sobre o ocorrido, dizendo que haviam sido tiros e que os disparos teriam sido feitos do lado oposto da vicinal onde os corpos se encontravam; QUE disse ainda que haviam sido disparos de espingarda, e nestes comentário, disse: “ISSO DOI COISA DOS MENINOS DO PAULINHO”, sendo imediatamente interpelado por outra pessoa, não se recordando por quem; QUE “MANTEIGA” informou ainda que havia sido a primeira pessoa a chegar no local e saiu para solicitar socorro mantendo contato com EDINEI e outros moradores da localidade; retornando ao local do fato logo em seguida; QUE perguntada esclarece que possivelmente haviam estojos de munições no local, tendo em vista que ouviu algum comentário neste sentido, ou seja, que populares haviam visto, contudo, não chegou a ver e nem tomar conhecimento por quem foram recolhidos; QUE desta forma, foram chegando muitas pessoas de diversas localidade, aglomerando-se mais de 50 (cinqüenta) pessoal no local do crime; QUE por volta de 13:00 horas chegou ao local os órgãos policiais (Polícia Civil e Militar), tendo realizado as medidas necessárias com atuação da Perícia Criminal; QUE pelo que se recorda, os corpos foram recolhidos por volta de 16:00 horas; QUE ESCLARECE QUE AINDA NO LOCAL, MANTEVE CONTATO COM “LUIZINHO”, casado com CLAUDINA, irmão da vítima JOSÉ CLAUDIO, que informou que naquele dia, por volta das 08:00 horas, estava na vicinal próxima a EMEF José Dutra da Costa, quando percebeu a passagem de uma motocicleta de COR VERMELHA com dois indivíduos, em alta velocidade no sentido de Nova Ipixuna’ QUE pode esclarecer que ainda no local do fato, também manteve contato com a moradora NEIDE JABOR que informou que no dia anterior havia emprestado R$ 700,00 (setecentos reais) a JOSÉ CLAUDIO para auxiliar no tratamento da sua irmã, de nome CLAUDENIR, e que naquele dia, possivelmente estariam se dirigindo a casa de uma pessoa em Nova Ipixuna para pegar mais R$ 1.300,00 (mili e trezentos reais) a mando de NEIDE, para completar o necessário para o tratamento mencionado, e que em seguida viram para casa de CLAUDENOR, irmão de José Claudio, em Marabá, QUE NEIDE lhe informou quem seria esta pessoa em Nova Ipixuna, mas no momento não se recorda o nome; QUE perguntada esclarece que não tinha conhecimento da saída das vítimas no dia dos fatos; QUE pode esclarecer que JOSÉ CLAUDIO tinha como hábito não realizar uma rotina de suas atividades tendo em vista ameaças que já havia sofrido’QUE não tinha horário para saída de casa, assim como utilizava trajetos diferentes; QUE desta forma, no dia do crime é de se estranhar que o(s) perpetrador(es) aguardasse(m) no local, possivelmente tendo conhecimento da passagem das vítimas; QUE no local não há sinal de telefonia celular convencional, somente havendo telefonia através de antenas fixas próprias em algumas habitações; QUE pelo que tem conhecimento somente NEIDE e CLAUDENOR (irmão de José Claudio) tinham conhecimento de sua saída no dia dos fatos; QUE com relação as atividades das vítimas, pode esclarecer que residiam no local há cerca de 20 anos e sempre atuaram na preservação da mata e auxiliando os sem-terra da localidade; QUE JOSÉ CLAUDIO, sempre participou das atividades da ASSOCIAÇÃO DE PEQUENOS PRODUTORES AGROEXTRATIVISTAS PRAIA ALTA PIRANHEIRA - APEP, tendo inclusive exercido mandatos de presidente; QUE em razão destas atividades, JOSÉ CLAUDIO angariou algumas animosidades e conflitos na região; QUE pode enumerar inicialmente conflitos com o fazendeiro JOAQUIM LOPES, antigo proprietário da fazenda onde hoje é conhecida como localidade CUPU, tendo em vista a invasão por sem-terras, contudo, este já é falecido e não possui familiares na região’ QUE posteriormente ocorreu outro conflito com o fazendeiro Dr MAURO, que também teve a fazenda invadida, porém, segundo consta não ocorreram ameaças, inclusive a fazenda foi vendida para JOSÉ RIBAMAR; QUE com relação a conflitos mais contundentes pode informar que há cerca de dois anos ocorriam animosidades entre José Claudio e PAULINHO, proprietário de uma madeireira em Nova Ipixuna, tendo em vista a extração ilegal de madeira na região; QUE também há cerca de 8 meses o nacional JOSÉ RODRIGUES MOREIRA, conhecido como “ZÉ RODRIGUES”, adquiriu alguns lotes de terra no PA da pessoa NEUSA SANTIS atuante no Cartório ALBERTO SANTIS, e segundo consta havia adquirido lotes colocando “laranjas” como assentados do INCRA, e assim iniciou ações violentas para grilarem de terras vizinhas; QUE “ZÉ RODRIGUES” se aliou ao assentado GENIVALDO OLIVEIRA SANTOS, conhecido como “GILSÃO”, ocorrendo a partir de então vários comentários de ameaças contra JOSÉ CLAUDIO partindo destes indivíduos; QUE não tem conhecimento se ocorreram ameaças pessoais, mas sempre houveram comentários neste sentido; QUE há cerca de 6 meses, “ZÉ RODRIGUES” e “GILSÃO” tentaram retirar alguns invasores em uma área vizinha a su aterra, utilizando violência e pistoleiros, dizendo que eram policiais, chegando a queimar os barracos existentes, porém os invasores retornaram ao local; QUE estes invasores haviam sido colocados pela vítima MARIA; QUE esta lhe confidenciou que ouviu comentários que “ZÉ RODRIGUES” havia dito que ‘perderia’ para os sem-terra, mas o “resultado” MARIA iria saber depois; QUE esclarece que MARIA lhe disse que ocorreram três situações que preocuparam a integridade física dela e de seu esposo, todas a partir do última mês de março, sendo a primeira ocorrendo em um dia à tarde, quando o cachorro da casa passou a latir como se avançasse em alguma coisa ou alguém, e logo em seguida ouviram um disparo de arma de fogo; QUE posteriormente, dois indivíduos em uma moto estiveram na casa perguntando de forma dissimulada por JOSÉ CLAUDIO, e este não estando, perguntaram se ela era MARIA, e com resposta afirmativa, perguntaram se era ela que denunciava os madeireiros e carvoeiros e que era bom ela encurtar a língua por que senão ira se dar mal; QUE, finalmente, foi vista uma pick-up circulando nas imediações da casa durante a noite; QUE não sabe precisar a data, nem outras circunstâncias destes ocorridos; QUE estas ocorrências foram destacadas dentre várias outras ocorridas, inclusive ligações para o telefone rural da casa de MARIA, com avisos que seria morta e ameaças de morte; QUE por informar ainda que JOSÉ CLAUDIO e MARIA tiveram vários conflitos com motoristas de carretas de PAULINHO, carregadas com toras de madeiras, quando paravam os veículos e fotografavam, a fim de formalizar denúncias; QUE recentemente PAULINHO passou a escoltar os seus caminhões, utilizando uma pick-up com vários indivíduos, e que segundo comentários seriam pistoleiros, QUE perguntado esclarece que anteriormente houve alguns contatos de JOSÉ CLAUDIO com madeireiros conhecidos da família TEDESCO, contudo, segundo tem conhecimento, não houveram desavenças; QUE perguntada se tem conhecimento da citação do nome de JOSÉ CLAUDIO em envolvimento em crime de homicídio na região esclarece que há bastante tempo atrás ocorreram comentários de que JOSÉ CLAUDIO havia matado um indivíduo conhecido como “PELADO”, em função de ter tentado invadir o lote de seu irmão, contudo o próprio irmão de “PELADO” disse que não teria sido José Claudio, não sabendo maiores detalhes sobre estes fatos; QUE nada mais tem a informar no momento E MAIS NÃO DISSE. Nada mais havendo, mandou a Autoridade encerrar o presente Termo que, lido e achado confirme, vai devidamente assinado por todos, e por mim, ___________________Francisco Antonio Lime de Souza, Escrivão de Polícia Federal, que o Lavrei o subscrevo.

AUTORIDADE___________________
DECLARANTE___________________
ADVOGADO_____________________
TERMO DE DECLARAÇÕES

que presta VALDIMAR GOMES DA SILVA.
na forma abaixo


Aos vinte e sete dias do mês de março do ano de mil novecentos e noventa e oito nesta cidade de Parauapebas Estado do Pará e no cartório da Delegacia de Polícia Civil onde se acha presente o Dr. William Alexandre da Silva respectivo Delegado, comigo Luís Coelho da Silva, Escrivão de Polícia compareceu VALDIMAR GOMES DA SILVA, brasileiro, maranhense, solteiro, nascido em 12/12/96, RG-PA/191.191-PA, filho de Antonia Gomes da Silva, lavrador, residente à rua Tucupi, nº 487 - Curionópolis-PA, alfabetizado, aos costumes nada disse, compromissado na forma da lei sobre o dever de dizer a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado, sendo inquirido pela autoridade, DECLAROU QUE: Faz parte’ do MST neste município, que até o dia 26/03/98, era liderado neste’ município, pelos senhores conhecidos por “FUSQUINHA” e “DOTOR”; QUE depois de “assembléias” realizadas entre a liderança local e integrantes do MST, no dia 14/03/98, fizeram ocupação da Fazenda GOIÁS II, de propriedade do Sr. “CARLINHOS DA CASA GOIÁS”, neste município; QUE estando os ocupantes naquela Fazenda, após alguns dias foram no local dois OFICIAIS DE JUSTIÇA desta Comarca, onde contactaram com o pessoal do MST, isto por três dias e sempre que lá ia, fazia negociações para que houvesse retirada dos movimentistas, alegando haver “Ordem Judicial” para a retirada dos pretendentes da Fazenda; QUE já no dia de ontem-27/03/98, em torno das 15:30 horas, o Oficial de Justiça desta Comarca, conhecido por “ZÉ EDUARDO”, retornou novamente ao acampamento, dessa feita já acompanhado de ONZE POLICIAIS MILITARES’ todos fardados, dois dos quais encapuzados; tendo, logo que lá chegou com ditos Policiais, o referido OFICIAL DE JUSTIÇA retirado um “papel”do bolso, apresentou aos acampados, alegando ser um “MANDADO JUDICIAL” para a retirada do pessoal, sem, no entanto, lê-lo; após isso, o mencionado Oficial de Justiça, diante da alegação de alguns acampados de que só sairiam de lá quando do retorno da liderança, que estava negociando em Marabá-PA, acrescentou aos acampados da seguinte forma: “VOCÊS TÊM QUE SAIR DAQUI HOJE, SE NÃO EU ME RETIRO COM OS POLICIAIS, E VOCÊS VÃO SE TER COM OS FAZENDEIROS, ELES SÃO MUITOS ESTÃO TODOS ARMADOS E SE VOCÊS NÃO SAÍREM ELES TIRAM VOCÊS DAQUI NA MARRA”, acrescentando, ainda o seguinte: “NÓS, POLICIAIS, VEIMOS TIRAR VOCÊS DAQUI PACIFICAMENTE, AGORA SE VOCÊS QUISEREM FICAR, VÃO’ SE TER COM OS FAZENDEIROS, QUE VÃO TIRAR VOCÊS NA MARRA; após esses argumentos do Oficial de Justiça, os acampados decidiram, então, se retirarem da fazenda, tratando de arrumarem seus pertences e os levando para a beira da estrada, tendo, inclusive, os PM’S os ajudando a carregar os pertences, onde já haviam dois caminhões que alguém arranjou para transportar os acampados; QUE, nesse local, o declarante ainda alegou com o “ZÉ EDUARDO” o interrogando onde estavam os fazendeiros que ele alegara que estavam lá próximos, armados para retirar-los na “marra”, em caso de resistência, pois ele declarante não estava vendo nenhum; foi então que, de súbito, surgiram mais de vinte fazendeiros, tendo à frente o proprietário da Fazenda Goiás, conhecido por “CARLINHOS”,que, como resposta à pergunta feita pelo declarante ao “ZÉ EDUARDO”, disse: “TAMOS AQUI, CABRA” (textuais); QUE, nesse exato momento, chegou naquele local uma caminhonete do Sr. ANTONIO e dois filhos deste, ainda crianças e, logo que chegou mencionado carro com descritas pessoas, o declarante, a Srª. ZILDA, juntamente com “FUSQUINHA”, “DOTOR” e outros e rumaram na direção do Cedere I; QUE, ao chegarem na Vilinha de Ceder I, (entrada), que curvavam para adentrarem naquele povoado, o “FUSQUINHA” desceu para contactar com alguém responsável por um colégio municipal lá, a fim de conseguir permissão para acamparem durante a noite, pois já era em torno das 19:00 horas, o qual conversava com Dona ZILDA para conversarem, ocasião em que o mesmo grupo de Fazendeiros, tendo à frente o CARLINHOS dono da Fazenda Goiás, interferiu na conversa entre “DOTOR” e Dona Zilda, dizendo que eles não poderiam e nem deveriam ficar ali, pois certamente voltariam à Fazenda, tendo o “DOTOR”, ainda tentado argumentar com eles, dizendo que já tinham saído da Fazenda Goiás e não teriam problemas ficarem ali, porém os fazendeiros continuavam irredutível, alegando, inclusive, que já haviam arrumado caminhões e os acampados teriam que vir para Parauapebas; o “DOTOR” ainda quis apresentar outros argumentos, mas era impedido de falar por aquele grupo furioso de fazendeiros, inclusive, um dos tais lhe tomou a bolsa, mas a pedido de outro, devolveu; QUE, diante da falta de sucesso na conversa que tentava manter com aqueles fazendeiros, o “DOTOR” desistiu, dizendo que não iria falar mais com eles, dando passos para trás, se afastando dos fazendeiros; porém, enquanto se afastava, um daqueles fazendeiros, alto, usando chapéu de massa de abas grandes, cor clara, rosto comprido, que o declarante soube que se trata do conhecido por “DONIZETE”, aproximou-se do “DOTOR”, que já se afastava e a uma distância de menos de dois metros, com um revólver que sacou, ou melhor, que já trazia na mão, desferiu um certeiro tiro na região peitoral de “DOTOR” que, baleado, caiu ao solo sussurrando as seguintes palavras: “rapaz, vocês maram mais é um homem; nesse exato momento, o “FUSQUINHA” se aproximou e implorou aos furiosos fazendeiros, em favor de “DOTOR”, dizendo, “HÔ, RAPAZ, NÃO FAÇA ISSO”, na mesma ocasião, o mesmo fazendeiro que baleara o “DOTOR” desferiu um tiro contra “FUSQUINHA”, o acertando pelas costelas, nesse momento o declarante desandou a correr em direção ao povoado de Cedere I, onde não encontrou ninguém vivo e nem morto; após isso, o declarante e outras pessoas, na mesma caminhonete, após aproximadamente uma hora, vieram a esta cidade e daí para Palmares II, onde passou o restante da noite e este dia, onde também ficou sabendo que os dois citados baleados, foram mortos em consequência daqueles tiros que sofreram em sua presença. E mais não disse e nem lhe foi perguntado, mandou a autoridade encerrar o presente termo que, lido e achado conforme, assina com o declarante e comigo________________________Escrivão que datilografei.

Autoridade________________________________________________

Declarante________________________________________________

Assistente/Advº_____________________________________________
TERMO DE DECLARACAO : ADAO DEMISVALDO SILVA DE OLIVEIRA

BOLETIM DE OCORRENCIA POLICIAL : 2001.003399
DATA/HORA DA INSTAURACAO : 10.07.2001 AS 0:24

LOCALIDADE POLICIAL : (297.10) DEL. POLICIA MUNICIPAL DE MARABA
AUTORIDADE POLICIAL : JOSE EUCLIDES AQUINO DA SILVA
ESCRIVAO : DILSON JOSE LIMA GONCALVES
DATA/HORA DO DEPOIMENTO : Em 10.07.2001 AS 1:36 Hs

…………………………………………………………………………………………………………(continuacao)
DADOS DO DEPOENTE……..…………………………………………………………………………………….
NOME : ADAO DEMISVALDO SILVA DE OLIVEIRA ESTADO CIVIL : CASADO
SEXO : MASCULINO DATA NASCIMENTO: 15.05.1960
FILIACAO : MAE : GENEROSA BATISTA DA SILVA OLIVEIRA
PAI : MARCELINO SOARES DE OLIVEIRA
LOCAL NASCIMENTO : MEDEIROS NETO / BA / BAHIA / BRASIL
C. IDENTIDADE : (INDENTIDADE) 0608780.SSP.PA
INSTRUCAO : 1 GRAU COMPLETO
PROFISSAO : OUTRAS PROFISSOES NAO RELACIONADAS
END. RESIDENCIAL : ANTONIO CHAVES, RUA
COMPLEMENTO: 704
PERIM/FUNDOS : NAO SABE/NAO SABE/MORADA NOVA
BAIRRO/CIDADE : OUTROS / MARABA


A pessoa do depoente acima qualificada depois de prestar o compromisso legal, as perguntas da autoridade policial, DECLAROU: QUE, acerca de vinte e tres anos residen com sua familia em Morada Nova, 12 Km de Maraba. Que, atualmente o depoente trabalha como acessor e tesoreiro do Sindicato de Garimpeiros de Serra Pelada. Que, acerca de seis anos aproximadamente conhecia pessoalmente e possuia amizade com a pessoa do atual Delegado sindical do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Maraba, alem do que era seu vizinho. Que, o depoente tem conhecimento de que no ano passado JOSE PINHEIRO chegou a receber ameaças de morte pelo fato de que encontrava-se trabalhando para o assentamento de familias na regiao de Rio Preto, inclusive chegou ate a indaga-lo se nao tinha medo de tal coisa. Que, por volta de 19:30h aproximadamente de 09.07.01 o depoente encontrava-se na companhia de um amigo seu de prenome CHICO em frente a uma venda as margens da rod PA 150, ocasiao em que ouviu alguns disparos de arma de fogo, em seguida dois individuos sairam correndo da rua Antonio Chaves em direcao a referida rodovia, os quais ajeitavam um instrumento em uma pochete presa ao corpo, uma arma de fogo e rapidamente rumaram em direcao ao Posto Morada Nova onde apanharam uma motocicleta, colocaram os capacetes e sairam em direcao a Jacunda, mas antes ainda pararam na netrada da referia rua por alguns minutos e com o farol apagado foram em bora, farol que foi aceso logo a frente. Que, com a fuga dos elementos varias pessoas e curiosos aproximaram-se do local onde se originaram os tiros, foi quando veio a saber que JOSE PINHEIRO, a esposa CLEONICE e o filho SAMUEL haviam sido executados atiros dentro da propria casa e pelos dois elementos. Que, quanto aos motivos do crime desconhece, mas acredita que esta ligada a reforma agraria. Que, o depoiente relata ainda que estava escuro mas pode visualizar os dois criminosos a uma distancia de 3 (tres) metros aproximadamente, tratando-se um deles de um elemento alto, magro, moreno, cabelos crespos e baixos e o segundo era mais baixo, robusto e da “cabeca grande”, moreno, elementos desconhecidos para o declarante, mas que provavelmente podem ser identificados por fotografia. O veiculo da fuga segundo o relator pode perceber era um Honda CG 125 TITAN de cor azul ou verde e que tinha placas, porem nao conseguiu visualizar com exatidao. Os elementos tinham capacetes azul ou verde e o outro vermelho, trajavam camisas escurar e calca jeans. E mais nao disse e nem lhe foi perguntado, depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado pela autoridade, depoente e por mim, Escrivao que o digitei.

ASSINATURAS……………………………………………………………………………………………….


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ADAO DEMISVALDO SILVA DE OLIVEIRA
DEPOENTE


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DILSON JOSE LIMA GONCALVES
ESCRIVAO


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JOSE EUCLIDES AQUINO DA SILVA
DELEGADO DE POLICIA
Termo de Declarações que presta: MARIA JOEL DIAS DA COSTA

………Aos vinte e cinco dias do mês de Novembro do ano dois mil, nesta CIdade de Rondon do Pará, Estado no Pará, Polícia Civil, Sistema de Segurança Pública, sala de expediente onde fucniona a Delegacia de Polícia, comigo Escrivão de Polícia de ser cargo ao final infra assinado, compareceu a sra. MARIA JOEL DIAS DA COSTA, natural de Urbano Santo/MA., viúva, Do Lar, de 37 anos de idade, filha de Bernardo Vieira Dias e de Zuleide Santos Dias, residente na Rua Paraguaia, nr. 418, bairro Centro, nesta Cidade, alfabetizada, a qual inquirida pela autoridade declarou: QUE, neste momento, confirma o teor das delcarações prestadas no dia 22 de novembro do ano em curso nesta Delegacia; QUE, com relação ao homicídio que vitimou seu marido quer relatar que o mesmo nos últimos meses estava empenhado em consilidar a ocupação da Fazenda “Tulipa Negra”, e um fato que chamou atenção foi a presença de um policial civil de nome MIGUEL acompanhando Oficial de Justiça desta Comarca objetivando retirar os trabalhadores rurais daquele assentamento; QUE, esse fato ocorreu no dia 18 de Novembro, e logo em seguida seu marido conseguiu confirmação de que a Polícia não teria ordem de Belém para cumprir a determinação judicial; QUE, essa ação ocorreu exatamente três dias antes do assassinato do seu mario; QUE, perguntado a delcarante se tem notícias de um outro fato recente que possa ter relação com a morte do sr. JOSÉ DUTRA DA COSTA, respondeu: que uma senhora de nome MARIA DAS GRAÇAS, que faz parte do assentamento da Fazenda “Tulipa Negra” lhe procurou para relatar que o homem comhecido por “SANCHE”, mas de nome FRANCISCO MARTINS FILHO, que era irmão de um policial encostado de pronome PEDRO, teria lhe afirmado que seu irmão foi vítima de um plano em virtude de possuir documentos, fitas e outros materiais que poderiam incriminar pessoas importantes de Rondon do Pará; QUE, FRANCISCO precisava encontrar esse material antes da Polícia; QUE, Dona Maria das Graças trouxe FRANCISCO MARTINS até a presença de seu marido e este confirmou que a morte do irmão foi “queima de arquivo” e que JOSÉ DUTRA DA COSTA, teria que ser eliminado antes de Janeiro, pois, a pretensão do Prefeito eleito era trazer para a Cidade o Delegado ALDO DE CASTRO e, então as coisas ficariam mais difíceis; QUE, FRANCISCO prometeu examinar o material para ver se tinha alguma prova de contratação de morte contra seu marido; QUE, FRANCISCO não chegou a confirmar se teve acesso a esse material; QUE, perguntado a declarante se sabe de algum fato envolvendo a figura desse policial encostado de prenome PEDRO e JOSÉ DUTRA DA COSTA, respondeu que lembra que seu marido denunciou a morte de um empregado de um conhecido proprietário desta Cidade que foi retirado de sua residência por homens armados, sendo assassinado na estrada e tendo seu corpo carbonizado; QUE, segundo seu marido essa morte teve a participação direta do próprio Empresário conhecido por “DELSON”, um homem conhecido por VALDIVINO e o policial encostado de prenome PEDRO; QUE, segundo seu marido, recentemente o proprietário conhecido por “DELSON” estava com as relações cortadas com PEDRO, inclusive o Sindicalista afirmou que teria encontrado o ex-policial encostado em Marabá e o mesmo teria dito que iria fazer graves denúncias contra “DELSON”; QUE, perguntado a declarante se seu marido comentou as razões do desentendimento entre “DELSON” e PEDRO, respondeu que o motivo seria alguns trabalhos realizados por PEDRO a mando de “DELSON” e este não teria pago os mesmos; QUE, teve conhecimento através de populares que o primo do pistoleiro que assassinou seu marido de nome IGOISNAR, teria uma namorada às proximidades da casa da declarante, sendo essa pessoa uma senhora conhecido por “DAJUDA”; QUE, quer esclarecer a declarante que IGOISNAR se encontrava com a amante na casa dessa senhora conhecida por “DAJUDA”, que pode ser a própria amante ou servia como contato para o encontro de IGOISNAR com a verdadeira namorada; QUE, segundo comentários de populares “DAJUDA” possui parentes no Município de Pacajás e que provavelmtene IGOISNAR estaria envolvido. QUE, lembra que acerca de duas semanas um vizinho que não recorda o nome procurou seu marido para dizer que um homem conhecido por “PIRRUCHA” acomanhado de uma outra pessoa em uma moto, passou por dias vezes em frente de sua casa, que inclusive desceram do veículo e apontavam para a casa da declarante, como se indicassem o endereço do Sindicalista. E como nada mais disse e nem foi perguntado, mandou a autoridade encerrar o presente Termo, que lido e achado conforme, assina com a declarante e por mim______________, Escrivão que o datilografei.

____________________________AUTORIDADE
____________________________DECLARANTE
METEORA ________________________________________________
1.2 - Depoimento de Zé Rondon, cunhado das vítimas, colhido no local.
1.3 - Depoimento de Claudelice dos Santos, irmã de José Cláudio.



2.2 - Depoimento de Cleonira Barbosa da Silva Torres, esposa de Pedro de Oliveira Torres.




3.2 - Depoimento de Edinaldo Campos Lima, filho do casal assassinado.
3.3 - Depoimento de Orondino Ferreira Maia


4.2 - Depoimento de José Carlos Agarito Moreira, sobrevivente do massacre.
4.3 - Depoimento de Maria Jesuíta de Araújo.
4.4 - Depoimento de Jair Nascimento, morador do assentamento 17 de abril.
4.5 - Depoimento de Laurindo Ferreira da Costa, sobrevivente do massacre.


5.2 - Depoimento anônimo.
5.3 - Depoimento anônimo.



6.2 - Depoimento de José Rocha de Souza, testemunha e sobrevivente.
6.3 - Depoimento de Paulo Rodrigues de Araújo, testemunha e sobrevivente.


7.2 - Depoimento de Manoel Gomes Pereira.
7.3 - Depoimento de Bento Francisco de Oliveira.
7.4 - Depoimento de Giodete Oliveira dos Santos.
7.5 - Depoimento anônimo de sobrevivente.


8.2 - Depoimento anônimo.
8.3 - Depoimento anônimo.


9.2 Luciene da Costa Cunha, viúva de Geraldo José.



10.2 - Carlito da Silva, filho de Zé Pretinho.


11.2 - Carlito da Silva, filho de Zé Pretinho.
11.3 - Oziel, atual morador do local.



12.2 - Carlito da Silva, filho de Zé Pretinho.
13.1